As células-tronco na coluna vêm sendo estudadas principalmente para pacientes com dor lombar persistente associada a alterações degenerativas do disco intervertebral.
Esse tipo de tratamento não serve para qualquer problema da coluna. Hérnia de disco, artrose, compressão nervosa, dor muscular e degeneração discal são condições diferentes e podem exigir abordagens distintas.
Outro ponto merece atenção: nem todo procedimento divulgado como tratamento com células-tronco para coluna utiliza células isoladas ou cultivadas em laboratório.
Em ortopedia, existem estudos com produtos biológicos diferentes, incluindo o concentrado de aspirado de medula óssea, conhecido como BMAC.
O que são células-tronco na coluna?
A expressão é usada de maneira ampla para falar sobre tratamentos que utilizam células ou produtos obtidos de tecidos humanos com o objetivo de estudar possíveis efeitos sobre estruturas da coluna.
Um dos materiais usados em pesquisas é o BMAC, preparado a partir da medula óssea do próprio paciente.
Esse concentrado reúne vários componentes, como:
- Células sanguíneas;
- Plaquetas;
- Moléculas sinalizadoras;
- Células progenitoras;
- Pequena população de células estromais.
O BMAC não é o mesmo que uma cultura de células mesenquimais expandida em laboratório.
Saber qual produto será utilizado é necessário porque composição, processamento, regulamentação e evidências clínicas mudam de uma técnica para outra.
Como funciona a aplicação de células-tronco na coluna?
Quando o objetivo é tratar um disco intervertebral selecionado, o produto biológico pode ser aplicado diretamente na região discal.
O posicionamento da agulha é feito com auxílio de métodos de imagem. Esse controle permite alcançar o alvo com maior precisão.
A proposta dos tratamentos intradiscais estudados envolve possíveis efeitos sobre:
- Processos inflamatórios;
- Ambiente biológico do disco;
- Células locais;
- Matriz extracelular;
- Mecanismos relacionados à dor.
Isso não significa que a aplicação consiga reconstruir um disco degenerado. A pesquisa ainda busca determinar até que ponto essas alterações biológicas se traduzem em benefícios clínicos consistentes.
Quem deseja aprofundar o assunto pode ler o conteúdo sobre medicina regenerativa na coluna.
Células-tronco regeneram o disco?
Essa é uma das principais dúvidas de quem pesquisa sobre terapia com células-tronco na coluna. O uso da palavra regeneração exige cautela.
Existem estudos laboratoriais e clínicos investigando se determinados produtos celulares conseguem modificar o ambiente do disco degenerado. Alguns trabalhos também analisam alterações encontradas em exames de imagem.
Ainda não é correto afirmar que o procedimento consegue formar um disco novo ou recuperar completamente sua estrutura original.
Também não se deve confundir melhora da dor com regeneração do tecido. São resultados diferentes.
Células-tronco podem tratar hérnia de disco?
Muitas pesssoas pesquisam sobre o tratamento de hérnia de disco com células-tronco, mas a presença de uma hérnia na ressonância não determina a indicação da técnica.
Uma hérnia ocorre quando parte do conteúdo do disco se desloca. Esse material pode ou não entrar em contato com estruturas nervosas.
Quando existe comprometimento de uma raiz, podem surgir sintomas como:
- Dor irradiada para perna ou braço;
- Formigamento;
- Dormência;
- Perda de sensibilidade;
- Redução da força;
- Dificuldade para determinados movimentos.
A terapia celular não remove mecanicamente uma hérnia nem descomprime automaticamente um nervo pressionado.
O conteúdo sobre protusão discal ajuda a entender a diferença entre alterações do disco e sintomas provocados por compressão nervosa.
Dor discogênica e hérnia de disco são a mesma coisa?
Não. A dor discogênica está relacionada ao próprio disco intervertebral. Ela pode existir mesmo sem uma hérnia volumosa.
Já a hérnia de disco envolve deslocamento do material discal e pode provocar sintomas neurológicos quando há contato ou compressão das raízes nervosas.
Essa diferença é relevante porque boa parte das pesquisas sobre células-tronco na coluna lombar está concentrada em pacientes com dor discogênica e degeneração discal selecionada.
Os resultados não podem ser estendidos automaticamente para todos os pacientes com hérnia.
Quem pode ser avaliado para esse tratamento?
Não existe uma indicação baseada somente no resultado da ressonância. A seleção precisa considerar sintomas, exame físico, imagens e tratamentos já realizados.
Entre os pontos que podem ser analisados estão:
- Dor lombar persistente;
- Suspeita clínica de origem discogênica;
- Degeneração do disco identificada nos exames;
- Ausência de melhora satisfatória com tratamento conservador;
- Grau de comprometimento estrutural;
- Presença ou ausência de compressão nervosa;
- Condições gerais de saúde.
A existência de alterações em L4-L5 ou L5-S1, por exemplo, não significa que essas alterações sejam necessariamente responsáveis pela dor.
Uma avaliação com ortopedista especialista em coluna ajuda a relacionar os achados da ressonância com o quadro apresentado pelo paciente.
Quando células-tronco não corrigem o problema da coluna?
Existem situações em que a principal causa dos sintomas é mecânica ou neurológica. Uma terapia biológica não corrige, sozinha:
- Instabilidade importante;
- Deformidades estruturais;
- Compressão significativa das raízes nervosas;
- Compressão da medula;
- Algumas formas avançadas de estenose;
- Perda progressiva de força.
Fraturas, infecções e suspeitas de tumores também exigem investigação específica. Nesses casos, insistir em uma proposta regenerativa pode atrasar o tratamento adequado.
Como é feita a infiltração de células-tronco na coluna?
O procedimento varia conforme o produto escolhido.
Quando se utiliza um concentrado obtido da medula óssea, o processo pode seguir etapas semelhantes às seguintes:
- Avaliação médica: análise da dor, exame físico e revisão dos exames de imagem.
- Seleção do alvo: identificação da estrutura que pode estar relacionada aos sintomas.
- Coleta: obtenção do aspirado de medula óssea, frequentemente na região da pelve.
- Processamento: preparo do material segundo o protocolo utilizado.
- Aplicação: introdução do produto no local selecionado com orientação por imagem.
- Acompanhamento: observação da evolução da dor, mobilidade e função.
Nem toda infiltração de células-tronco na coluna segue o mesmo protocolo. Antes de realizá-la, o paciente precisa saber qual material será aplicado e quais estudos sustentam seu uso para aquele diagnóstico.
O que os estudos mostram?
As pesquisas mais recentes apresentam resultados heterogêneos.
Alguns estudos com células estromais mesenquimais encontraram redução da dor e melhora funcional em grupos selecionados com doença degenerativa discal.
Os trabalhos, porém, utilizam produtos, concentrações, critérios de inclusão e formas de aplicação diferentes.
Essa variação dificulta definir quais pacientes realmente apresentam maior chance de benefício.
Uma revisão sistemática disponível no PubMed analisou estudos clínicos sobre células estromais mesenquimais para dor lombar discogênica e apontou sinais de benefício, acompanhados de limitações na qualidade e padronização das evidências.
Os estudos sobre BMAC também apresentam resultados variados.
Por esse motivo, o tratamento com células-tronco para coluna não deve ser divulgado como solução garantida para degeneração discal ou hérnia.
Quanto tempo demora para fazer efeito?
Não existe um prazo que possa ser aplicado a todos os pacientes.
A resposta depende de vários fatores, entre eles:
- Diagnóstico correto;
- Estrutura tratada;
- Grau de degeneração;
- Produto utilizado;
- Resposta individual;
- Reabilitação;
- Presença de outras causas de dor.
Os estudos acompanham a evolução durante vários meses. Promessas de melhora obrigatória em poucas semanas não refletem a variabilidade observada na prática e na literatura científica.
Quais são os riscos?
A aplicação de células-tronco na coluna é invasiva e apresenta riscos. Os efeitos podem variar de desconfortos transitórios até complicações menos comuns.
Os eventos possíveis são:
- Dor após o procedimento;
- Sensibilidade no local da coleta;
- Pequeno sangramento;
- Hematoma;
- Reação relacionada aos medicamentos utilizados;
- Infecção.
Nas aplicações intradiscais, existe também o risco de discite, uma infecção do disco intervertebral.
O profissional precisa conhecer os medicamentos utilizados pelo paciente, histórico de infecções, alterações de coagulação, alergias e outras condições clínicas antes da intervenção.
Medicamentos prescritos não devem ser interrompidos sem orientação.
BMAC é célula-tronco?
Essa associação geralmente causa confusão.
O BMAC contém uma pequena população de células progenitoras e estromais, mas não deve ser descrito como se fosse composto exclusivamente por células-tronco.
Ele é um concentrado de medula óssea formado por diferentes elementos celulares e moléculas. Uma preparação de células mesenquimais cultivadas em laboratório envolve outro processo.
As duas abordagens não devem ser tratadas como equivalentes.
Células-tronco autólogas são mais seguras?
O termo autólogo significa que o material utilizado veio do próprio paciente. Isso não torna qualquer técnica automaticamente segura ou eficaz.
Mesmo um produto autólogo precisa ser coletado, manipulado e aplicado seguindo critérios sanitários e técnicos.
A Anvisa possui regras específicas para terapias avançadas, incluindo produtos desenvolvidos a partir de células e tecidos humanos.
Antes de realizar qualquer terapia desse tipo, é necessário identificar exatamente qual produto está sendo oferecido.
Células-tronco substituem fisioterapia?
Na maioria dos quadros de dor lombar e hérnia de disco, o tratamento começa por estratégias conservadoras.
A conduta pode incluir:
- Exercícios terapêuticos;
- Fisioterapia;
- Adaptação temporária das atividades;
- Fiortalecimento muscular;
- Retorno progressivo aos movimentos;
- Medicamentos quando indicados pelo médico.
O artigo sobre fisioterapia para coluna lombar com hérnia de disco mostra como a reabilitação pode fazer parte desse processo.
Mesmo quando um procedimento biológico é considerado, a recuperação funcional continua tendo papel relevante.
Células-tronco substituem cirurgia da coluna?
Não necessariamente. Cirurgia e terapia celular têm objetivos diferentes.
Uma cirurgia pode ser necessária quando existe uma alteração estrutural que precisa ser corrigida, como algumas compressões neurológicas importantes ou instabilidades.
A terapia celular na coluna não deve atrasar uma cirurgia que já tenha indicação bem estabelecida. A decisão depende do diagnóstico e da repercussão do problema sobre nervos, medula, movimento e qualidade de vida.
Existe aplicação de células-tronco na coluna cervical?
Há interesse científico no uso de tratamentos biológicos em diferentes regiões da coluna, mas a maior parte dos estudos clínicos está concentrada na região lombar.
Não é correto assumir que resultados obtidos em discos lombares sejam iguais para a coluna cervical.
Quadros cervicais também merecem cuidado especial porque algumas alterações podem comprometer raízes nervosas ou a própria medula.
Fraqueza nas mãos ou braços, perda de coordenação e dificuldade para caminhar exigem investigação médica. Quem apresenta sintomas nessa região pode consultar o conteúdo sobre hérnia de disco no pescoço.
O que perguntar antes de fazer o tratamento?
A palavra “células-tronco” não informa, sozinha, qual tratamento será realizado.
Antes de decidir, procure respostas claras para estas perguntas:
- Qual é a causa provável da minha dor?
- Qual estrutura será tratada?
- O produto utilizado será BMAC ou outro tipo de preparação?
- Qual evidência existe para o meu diagnóstico?
- Como será feita a aplicação?
- Quais riscos estão envolvidos?
- Quais tratamentos podem ser tentados antes?
- Como será o acompanhamento depois do procedimento?
Desconfie de garantias de regeneração completa, cura da hérnia ou reconstrução do disco.
Avaliação da coluna vem antes do procedimento
A dor lombar nem sempre nasce no disco. Músculos, articulações facetárias, raízes nervosas, estruturas ligamentares e outras regiões podem participar dos sintomas.
A ressonância também precisa ser interpretada dentro do quadro clínico. É possível encontrar degeneração discal em pessoas que não apresentam dor.
Quando o quadro exige análise de diferentes possibilidades, uma clínica de ortopedia com equipe de ortopedistas em diferentes áreas de atuação reúne avaliação da coluna, reabilitação e outras opções terapêuticas no mesmo planejamento.
As células-tronco na coluna representam uma área de pesquisa que continua avançando. Hoje, o interesse científico é maior para dor discogênica e doença degenerativa do disco em grupos selecionados.
A indicação precisa ser individual, baseada no diagnóstico e na qualidade das evidências disponíveis para o produto que será utilizado.
Perguntas frequentes
Células-tronco curam hérnia de disco?
Não existe evidência suficiente para afirmar que células-tronco curem hérnia de disco. O uso estudado está mais relacionado à dor discogênica e à degeneração do disco em pacientes selecionados.
Infiltração de células-tronco na coluna dói?
Pode ocorrer desconforto tanto na coleta quanto após a aplicação. A intensidade varia conforme a técnica utilizada e a resposta de cada paciente.
BMAC e células-tronco são a mesma coisa?
Não. O BMAC é um concentrado de medula óssea que reúne diferentes células e moléculas. Ele contém células progenitoras, mas não é equivalente a uma preparação formada apenas por células-tronco cultivadas.
Quanto tempo leva para o tratamento apresentar resultado?
Não existe prazo padrão. Os estudos acompanham a evolução durante meses e mostram respostas diferentes entre os pacientes.




