É comum que o formato das pernas mude bastante nos primeiros anos de vida. Quando a criança começa a andar, os pais podem perceber os joelhos mais afastados, com as pernas arqueadas, ou mais próximos um do outro, criando o aspecto em “X”.
Esse alinhamento não permanece igual durante toda a infância. Conforme os ossos crescem e a marcha amadurece, a posição dos membros inferiores também passa por adaptações.
Por esse motivo, os joelhos tortos em crianças precisam ser analisados dentro da fase de desenvolvimento em que aparecem.
Mais do que observar o formato das pernas, é importante verificar se o desvio é muito acentuado, se existe assimetria entre os lados e se o alinhamento está evoluindo como esperado para a idade.
Por que o alinhamento dos joelhos muda na infância?
Fêmur e tíbia ainda estão crescendo e modificando seu alinhamento durante a infância. A marcha também passa por várias adaptações nos primeiros anos.
Isso explica por que uma criança pode apresentar pernas mais arqueadas no começo da vida e, algum tempo depois, ficar com os joelhos mais próximos.
Existem dois padrões que aparecem com frequência nesse processo:
- Geno varo: os joelhos ficam mais afastados quando os tornozelos estão próximos. É o aspecto conhecido como pernas arqueadas ou joelhos voltados para fora.
- Geno valgo: os joelhos se aproximam e os tornozelos ficam mais separados. É o padrão popularmente chamado de joelhos em “X” ou joelhos voltados para dentro.
Quem quiser entender melhor a primeira situação pode consultar o conteúdo sobre joelho varo. Para o padrão oposto, há também um guia sobre joelho valgo.
Esses nomes descrevem o alinhamento dos membros, mas não significam, sozinhos, que a criança tenha uma doença.
Geno varo em bebê é normal?
O joelho varo em bebê é comum nos primeiros meses e pode ficar ainda mais evidente quando a criança começa a apoiar o peso do corpo e dar os primeiros passos.
No geno varo fisiológico, normalmente as duas pernas apresentam arqueamento semelhante. Com o crescimento, essa curvatura tende a diminuir.
Muitas crianças se aproximam de um alinhamento neutro entre 18 e 24 meses, mas existe variação de uma criança para outra.
Uma criança de 1 ano ou com 1 ano e alguns meses, por exemplo, ainda pode apresentar pernas tortas sem que isso represente uma deformidade permanente.
Quando o geno varo infantil merece investigação?
O geno varo infantil chama mais atenção quando a evolução não segue esse padrão esperado.
Procure avaliação quando houver:
- Arqueamento que aumenta depois dos 2 anos;
- Diferença evidente entre uma perna e a outra;
- Desvio muito acentuado;
- Dificuldade para caminhar ou correr;
- Criança mancando;
- Diferença perceptível no comprimento das pernas;
- Dor frequente;
- Crescimento abaixo do esperado para a idade.
A Academia Americana de Pediatria, uma das principais entidades médicas dedicadas à saúde infantil, também cita entre os sinais que merecem avaliação o arqueamento extremo, o comprometimento de apenas um lado e a piora das pernas arqueadas depois dos 2 anos.
A entidade reúne orientações para famílias sobre pernas arqueadas e joelhos em X durante a infância.
E quando a criança fica com os joelhos tortos para dentro?
Depois da fase de pernas arqueadas, o alinhamento pode passar para o lado oposto.
O geno valgo em crianças começa a aparecer geralmente a partir dos 2 anos e costuma ficar mais evidente aos 3 ou 4 anos. Nessa fase, os joelhos podem encostar quando a criança está em pé, enquanto os tornozelos permanecem afastados.
O valgismo fisiológico costuma diminuir gradualmente depois dos 4 anos. Por volta dos 7 anos, o alinhamento já tende a se aproximar mais daquele observado no fim da infância e na vida adulta.
Criança de 3 ou 4 anos com joelho em X precisa de tratamento?
Nem sempre.
Uma criança de 3 anos pode apresentar geno valgo bastante visível e ainda estar dentro da fase esperada do crescimento. O mesmo pode acontecer aos 4 anos, período em que o valgismo fisiológico costuma atingir seu ponto mais evidente.
Se os dois lados são parecidos, não existe dor e a criança corre e brinca normalmente, a avaliação pode mostrar apenas uma característica do desenvolvimento.
A situação muda quando o desvio é muito acentuado, piora com o tempo ou aparece predominantemente em apenas uma perna.
E aos 7, 8, 9 ou 10 anos?
Depois dos 7 anos, um joelho em “X” que continua muito marcado merece um olhar mais cuidadoso.
A Sociedade de Ortopedia Pediátrica da América do Norte, organização especializada em problemas dos ossos, músculos e articulações de crianças e adolescentes, considera persistente ou progressivo após os 7 anos um padrão que deve ser diferenciado do geno valgo fisiológico.
Uma criança de 8 anos, 9 anos ou 10 anos com valgismo discreto e simétrico não necessariamente tem uma doença. O grau do desvio, os sintomas e a evolução precisam ser considerados.
A idade ganha importância porque o crescimento restante dos ossos interfere nas opções disponíveis caso seja encontrada uma deformidade que precise de correção.
Quais são os sinais de alerta nos joelhos tortos em crianças?
A aparência das pernas fornece apenas parte das informações.
Alguns sinais merecem mais atenção:
- Um joelho está claramente mais desviado que o outro;
- A deformidade está aumentando;
- Existe dor no joelho, perna, tornozelo ou quadril;
- A criança começa a mancar;
- Correr e brincar ficam mais difíceis;
- Há diferença de comprimento entre as pernas;
- Ocorreram fraturas próximas à placa de crescimento;
- Existe histórico de infecção óssea;
- A criança apresenta baixa estatura ou alterações de crescimento;
- Surgem deformidades em outras regiões do corpo.
Crianças pequenas caem bastante enquanto aprendem a correr, mudar de direção e controlar o equilíbrio. Quedas isoladas não significam necessariamente um problema nos joelhos.
Tropeços muito frequentes, acompanhados de alteração evidente da marcha ou limitação para acompanhar outras crianças, merecem investigação.
Patela apontando para dentro significa joelho torto?
Nem sempre.
Quando os pais dizem que a patela do joelho parece torta, pode existir uma alteração do eixo, mas também pode haver influência da rotação do fêmur ou da tíbia.
Uma criança pode parecer ter os joelhos muito voltados para dentro porque toda a perna está rodada. Em outros casos, os pés apontam para dentro mesmo sem um geno valgo importante.
É justamente por isso que a avaliação não pode ficar restrita à posição dos joelhos. O ortopedista observa quadris, coxas, pernas, patelas, tornozelos e pés, além da maneira como a criança caminha.
Nem toda perna arqueada faz parte do crescimento
O geno varo fisiológico é muito mais comum que as doenças capazes de provocar pernas arqueadas. Mesmo assim, algumas condições precisam ser descartadas quando o comportamento do desvio foge do esperado.
Uma delas é a doença de Blount, alteração que afeta o crescimento da parte superior da tíbia e pode produzir arqueamento progressivo da perna.
Outras possibilidades incluem alterações metabólicas dos ossos, doenças que afetam a placa de crescimento, displasias esqueléticas e sequelas de trauma ou infecção.
Uma diferença de comprimento entre os membros também pode interferir no alinhamento e na marcha. O tema é explicado com mais detalhes no conteúdo sobre dismetria dos membros inferiores.
Essas causas não devem ser presumidas apenas pela aparência da criança. O histórico, o exame físico e, quando necessário, os exames de imagem ajudam a fazer essa diferenciação.
Como é feita a avaliação do joelho da criança?
A consulta começa antes mesmo do exame do joelho.
O médico procura saber quando os pais perceberam a alteração, se ela aumentou, quando a criança começou a andar e se há episódios de dor, dificuldade para correr ou mudança no padrão da marcha.
Também entram nessa avaliação informações sobre crescimento, fraturas anteriores, infecções e histórico familiar.
Durante o exame físico, podem ser observados:
- Alinhamento das pernas.
- Posição das patelas.
- Mobilidade dos joelhos.
- Rotação dos quadris.
- Rotação da tíbia.
- Posição dos pés.
- Comprimento dos membros.
- Modo como a criança fica em pé e caminha.
A avaliação de ortopedia infantil considera características próprias do crescimento. O alinhamento de uma criança pequena não deve ser julgado pelos mesmos parâmetros utilizados para um adulto.
Toda criança com joelho torto precisa fazer raio X?
Não. Quando o desvio é simétrico, compatível com a idade e apresenta evolução típica, muitas crianças podem ser acompanhadas clinicamente sem radiografia.
O raio X ganha mais utilidade quando o médico encontra uma deformidade acentuada, progressiva, assimétrica ou fora da faixa esperada.
Nos casos em que é necessário estudar o eixo dos membros, pode ser solicitada uma radiografia panorâmica realizada em pé, abrangendo quadris, joelhos e tornozelos.
Esse tipo de exame permite analisar a linha de carga da perna e identificar se a origem do desvio está principalmente no fêmur, na tíbia ou em ambos.
Comparar uma radiografia isoladamente com uma imagem encontrada na internet como “RX de joelho de criança normal” não é suficiente. Idade, posicionamento durante o exame e medidas do eixo precisam entrar na interpretação.
Órtese para joelho valgo infantil funciona?
A busca por órtese para joelho valgo infantil é comum porque muitos pais procuram alguma maneira de “endireitar” rapidamente as pernas.
Nos casos de geno valgo fisiológico, órteses e calçados corretivos não costumam ser necessários para modificar o eixo ósseo. O mesmo raciocínio se aplica às pernas arqueadas próprias dos primeiros anos de vida.
A Academia Americana de Pediatria informa que aparelhos, calçados corretivos e exercícios raramente ajudam a corrigir pernas arqueadas ou joelhos em X quando essas alterações representam fases normais do desenvolvimento.
Isso não significa que uma órtese nunca seja usada em uma criança. Existem problemas ortopédicos específicos nos quais aparelhos fazem parte do tratamento.
A indicação depende do diagnóstico, não apenas da aparência da perna.
Exercícios conseguem separar os joelhos?
Não existe exercício caseiro capaz de garantir a correção de uma deformidade óssea estrutural.
Quando a pergunta é “como separar os joelhos?”, o primeiro passo é descobrir se existe realmente uma deformidade ou se aquele alinhamento ainda faz parte do crescimento.
Fisioterapia pode ser útil quando há alterações de força, equilíbrio, controle dos movimentos ou dificuldades funcionais identificadas durante a avaliação.
Fortalecer músculos não deve ser confundido com modificar diretamente o formato de um osso que está crescendo.
Qual é o tratamento para joelho valgo infantil e geno varo?
A conduta muda bastante conforme a origem do desvio.
Quando é apenas uma fase do crescimento
O acompanhamento é suficiente. O ortopedista pode avaliar novamente a criança após determinado período para conferir se o eixo está seguindo a evolução esperada.
Nessa situação, não há necessidade de tentar corrigir a posição das pernas em casa.
Quando existe uma causa específica
O tratamento passa a ser direcionado ao problema identificado.
Dependendo do diagnóstico, da intensidade da deformidade e da idade da criança, o plano pode envolver acompanhamento mais próximo, tratamento da doença de base ou procedimentos ortopédicos específicos.
Quando a deformidade é progressiva
Em algumas crianças que ainda possuem crescimento ósseo disponível, procedimentos de crescimento guiado podem ser considerados para determinadas deformidades angulares.
Essa técnica utiliza o crescimento restante do osso como parte da correção e só faz sentido em situações bem selecionadas.
Quando a maturidade óssea está próxima ou já foi atingida, deformidades estruturais importantes podem exigir outra estratégia, como uma osteotomia.
A indicação cirúrgica não depende apenas de um joelho parecer torto. Medidas radiográficas, sintomas, localização do desvio, idade e crescimento restante entram na decisão.
Quando procurar um especialista sem esperar?
Uma avaliação merece ser antecipada quando os joelhos tortos em crianças vêm acompanhados de piora progressiva, assimetria evidente, dor ou dificuldade crescente para caminhar e brincar.
Também é indicado investigar quando o arqueamento continua aumentando depois dos primeiros anos ou quando os joelhos permanecem muito voltados para dentro depois da idade em que o geno valgo costuma diminuir.
Histórico de fratura envolvendo a placa de crescimento, infecção óssea e diferença no comprimento das pernas são outros motivos para não acompanhar a situação apenas em casa.
Nesses casos, buscar a orientação de um ortopedista com especialização em joelho para definir o tratamento permite avaliar o eixo dos membros, o crescimento da criança e a necessidade real de acompanhamento ou intervenção.
O formato das pernas não conta toda a história. A evolução ao longo dos meses é tão relevante quanto aquilo que os pais observam em um determinado dia.
Perguntas frequentes
Joelhos tortos em crianças são normais?
Podem ser. Bebês frequentemente apresentam pernas arqueadas, enquanto crianças entre aproximadamente 2 e 4 anos podem desenvolver joelhos em “X”. Idade, simetria e evolução ajudam a identificar quando o padrão está dentro do esperado.
Até que idade o geno varo infantil pode ser normal?
O arqueamento costuma diminuir durante os primeiros 2 anos de vida. Geno varo muito acentuado, assimétrico ou que continua piorando depois dessa fase deve ser avaliado.
Criança de 8 anos com joelho em X precisa consultar um ortopedista?
Um valgismo discreto pode existir sem representar doença. Quando o desvio é acentuado, aumenta com o crescimento, ocorre apenas de um lado ou causa dor e limitação, a avaliação ortopédica é indicada.
Órtese para joelho valgo infantil corrige o problema?
No geno valgo fisiológico, órteses não são indicadas rotineiramente para mudar o alinhamento dos ossos. Quando existe uma condição específica, o especialista pode avaliar se algum dispositivo faz parte do tratamento.




